Uso de agrotóxicos também prejudica as abelhas, diz pesquisadora dos EUA
 
“Nosso conselho é evitar ao máximo o uso de pesticidas”, diz Marla Spivak, da Universidade de Minnesota (EUA) Cuiabá - Nos Estados Unidos, está ocorrendo um forte movimento, tanto de apicultores quanto de agricultores, contra o uso de produtos químicos e a favor da agricultura orgânica. A informação é da americana Marla Sipvak, professora de entomologia e insetos sociais da Universidade de Minnesota (EUA), que está em Cuiabá (MT) participando como palestrante do 18º Congresso Brasileiro de Apicultura e 4º Congresso de Meliponicultura. Na manhã dessa quinta-feira (20), abordou o tema “A importância da seleção das abelhas na produtividade da colméia”. Segundo ela, a preocupação em investigar a sanidade das abelhas americanas tem como causa o fato delas serem muito sensíveis a produtos químicos. “Ao contrário das abelhas brasileiras, que já são saudáveis e resistentes a doenças”, afirmou. Acompanhada do professor da USP de Ribeirão Preto (SP) e presidente do Conselho Científico Nacional de Apicultura, Lionel Segui Gonçalves, Marla Spivak, ela explica que todo pesticida pode afetar as abelhas. “Embora os herbicidas não as afetem diretamente, afetam a sua fonte de alimento, que são as floradas. Corre-se um risco muito grande quando se trabalha em massa com agrotóxicos. Por isso, nosso conselho é evitar ao máximo o uso de agrotóxicos em lavouras, para que as abelhas não sejam afetadas”, alerta. “Se as abelhas desaparecessem da face da terra, a espécie humana teria somente mais quatro anos de vida. Sem abelhas não há polinização. Ou seja, sem plantas, sem animais, sem homens”. Esta frase, atribuída a (Albert) Einstein, foi lembrada pelo professor Lionel Segui para reforçar a tese levantada por Marla Spivak. “Naturalmente, o tempo citado por Einstein é apenas uma imagem. No entanto, não deixa de ser um alerta para o que está ocorrendo atualmente, em que as abelhas estão desaparecendo tanto na Europa quanto nos Estados Unidos. Ou seja, não estamos avançando, mas retroagindo. Caso não mudemos esse rumo, esta frase pode se transformar em um vaticínio. Ou seja, ocorrer o que realmente previu o Prêmio Nobel”, completa. Data: 21-05-2010 Fonte: Agência Sebrae de Notícias